Terça-feira, 24 de Abril de 2012

POEMA UM SENTIR MEU





Poesia perfumada na manhã
Num sentir muito meu
Da vida prenhe da vida
Numa urgência de acontecer
Onde os sentires são soberanos
Sou brisa
Sou o vento
Sou água
Sou chuva
Sou força da natureza
Sou a beleza singela
De um paraíso me habita
Onde sou a rebeldia
E sou a liberdade
Que nas asas do vento
Vive a mais bela saudade
IMOUHAR
.

Sábado, 24 de Março de 2012

SAUDADE DE TI




Hoje acordei com saudades de ti
A chuva beijou-me os lábios na forma de sedução
O vento falou-me de ti
Trazia com ele o teu perfume selvagem
Uma lágrima agridoce acariciou a minha alma árabe
Tudo em mim despertou nessa cumplicidade total
Soltou-se em mim a liberdade sonhada,
Percorreu estradas invisíveis aos outros elementos
Lá onde o vento sopra livre só pelo prazer de soprar
Sem que o propósito se faça necessário
Pois que lá ele corre que nem um louco
Mas corre como gosta louco ou não
Longe das muralhas do betão
Feito de ruas e ruelas
Que o afunilam num labirinto emocional
Só porque o querem aprisionar
Mas lá onde os grãos de areia vivem
Pelo simples prazer de viverem a liberdade
Onde tudo é feito de essência
Em loucas tertúlias longe das aparências
Onde eu sou tudo e ao mesmo tempo não sou nada,
Mas nada é tudo o que eu quero ser
Talvez liberto das regras que me sufocam
De olhos fechados entrego a minha alma ao vento
Numa viagem de liberdade existencial
Naquele lugar onde um mar salgado de lágrimas
Abraça outro mar de sentires da alma
Onde tudo o que se vê ondula
Num movimento de caos sincronizado
Onde a minha alma se entrega sôfrega
Naquele lugar amado
Que se chama de deserto
Talvez até de deserto enrugado

IMOUHAR

Domingo, 18 de Março de 2012

SINTO-ME NA NOITE






Na calada a noite calço as pedras da calçada
Visto-me com a escuridão
Embrulho-me em silêncio
No meio da solidão
Bebo da humidade orvalhada
Na ponta da língua molhada
Um vento nocturno faz-me sonhar
Sentires profundos inundam-me
Chega a saudade daquele lugar
Entre a dor e o amor
Parto com o vento
Sou nesse momento o sonhador
Nessa boleia à muito consentida
Sou o ar e sou o mar
Vivo uma beleza consentida
Num mundo que aprendi a amar
Onde a minha alma em permanência
Busca incessante a sua essência
O momento faz-se eternidade
Aparece uma alegria sem igual
Nascida da fusão
Do meu Ser espiritual
Vivo a noite, não o dia
De forma paradoxal
Que me liberta no perfume
De Viver a liberdade actual
Ao limite sem fronteiras
Em espaços cheios de barreiras
Vivo na noite
Os sons e os cheiros
Feitos de amor e
Pois que na noite
Sou apenas o homem
A aprender a ser menino

IMOUHAR

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

EU E ELA






Acordei com saudades dela
Acariciei bem devagar
A ideia de vê-la
Senti um impulso louco
Fiquei tomado de tesão
Estava decidido
Fui ao encontro dela
As palavras fizeram-se inúteis
Os olhos expressavam tudo
Comecei a despi-la lentamente
Ficou apenas de um azul lindo
Passei-lhe a mão ao longo dela
Arrepiei-me no seu toque
E que visão
Docemente saltei-lhe para cima
Meti-a entre as minhas pernas
Senti-lhe o tremor
Que aumentou quanto
Mais eu fechava a mão
De repente tudo explodiu
Com o seu grito rouco
Levou-me á total loucura
Perdi a noção das inúmeras
Vezes que de corpos fundidos
Que subimos e descemos
Cá dentro um mundo de sentires despertava
Gostava dela mas não a amava
Mas tinha a certeza que ela era totalmente minha
Embora eu não fosse dela
A nossa relação ás vezes calma
Outras tempestuosas
Deixava muita gente a olhar
Á nossa passagem
Percebiam em nós a intimidade
Só possível para quem tem cumplicidade
E se nós éramos cúmplices
Tínhamos idades diferentes
Mas nunca fora problema
Quando tudo acabou
Voltei a vesti-la
Deixei-a na sua casa
E voei para um duche
Estava totalmente impregnado
Com o seu cheiro
Depois do duche deitei-me
Sobre a minha cama
Senti-me um pouco cansado
Ela era bem mais jovem
Mas agora isso pouco importava
Dera-me horas de prazer
Queria apenas continuar
A curtir esse sentimento
Adormeci envolto num
Sonho com ela
Sorria na hora da despedida
Sempre fora uma mota
Que me preenchia os desejos
De rolar pelas pistas
E hoje não falhara
Mais uma vez partilháramos
O gosto pela aventura.

MOURO

Domingo, 30 de Outubro de 2011

A CARTA QUE NUNCA O FOI







Meu amor
Queria amar-te muito
Amar-te perdidamente até doer
Pois que te amei
Mesmo antes de te ver
Amei-te quando senti atrás de mim
A fragrância do teu perfume
Amei-te ainda mais quando os nossos olhos
Fugazmente fizeram amor pela primeira vez
Amei o teu cabelo
Amei a tua pele
Amei a ti
Não quero falar-te de amor
Mas simplesmente amar-te
Quero escrever-te poemas de amor
Quero pegar-te pela mão
Quero amar-te noite e dia
Amar-te até á exaustão
Amar o teu corpo suado
Amar de pé ou deitado
Quero amar-te para lá do horizonte
Quero ser o teu amor
Amar-te será presente da vida
Amei-te no ontem
Amo-te hoje
Amar-te-ei também no amanhã
Pois que esse amor vivido
Já foi amor livre
E amor desesperado
Amor clandestino
E amor enclausurado
Queria apenas amar-te
Amar sem cor
Amar sem dor
Amar com frio ou calor
Queria apenas amar-te perdidamente
Amar-te à chuva
Amar-te ao vento
Amor em fogo
Amor sem tempo
Queria apenas amar
Amar, amar, amar, amar
Amar-te assim perdidamente

IMOUHAR

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

QUE TEMO ?







Temo o quê
Se é dentro de mim
Que se dão as maiores tempestades
Lugar onde as lutas
Se dão sem cartel
Onde o bem e o mal
Lutam às últimas consequências
Onde a minha dualidade
Desembrenha as espadas
Entregando-se a cruéis duelos
Temo muitas da vezes
Os meus próprios pensamentos
Temo o quê
Se é comigo que vivo
Se me consome a dor
E ardo no amor
Sigo aquela vereda
Que um dia escolhi
Talvez por não saber
As vezes que nela caí
Corro por ela acima
Ou por ela abaixo
A sombra que me persegue
Segreda-me ao ouvido
Podes andar ou correr
Voar ou mesmo morrer
Podes ir para o princípio
Ou fim do mundo
Mas quando com olhos olhares
Será a ti que verás
Pois tu és o vulcão que explode
E a terra que dorme
O vento que canta
E o mar que encanta
Tu és a água
Tu és o fogo
Tu és um feito de duas partes
Pois que nessa vereda una
Se passeia a tua dualidade
Por isso que temes tu?
Que não a ti próprio

IMOUHAR

HOJE VESTI-ME DE NU






Hoje resolvi vestir-me de nu
Busquei o conforto fora das aparências
Pela voz de uma caneta
Num cenário de papel
Percebi que afinal não sou o que sou
Nem tão pouco o que penso que sou
Não tenho formosura física alguma
Inteligente sou-o de uma forma limitada
Amante fogoso apenas das palavras
Pois que das mulheres sou um desastre
Dou por mim mergulhado em análises profundas
Que a ninguém mais que a mim interessam
Nu que estou
Sinto a inutilidade da inteligência
Pensada à análise raciocinada
Tenho por companhia a beleza
Que se alberga no meu interior
Assumo a minha pobreza material
Na vã tentativa de enriquecer o meu mar intelectual
Não esqueço de a moral tentar conquistar
Fortes barreiras se levantam
Querem os movimentos mentais limitar
Mas eu nu
Sou mais que isso tudo
Pois que no espírito
Sou todo o mundo de sentires
Que um dia eu ousei espreitar
Nu eu sou ar na forma do vento
Eu sou água no desenho da chuva
Sou calor no fogo do vulcão
Sou terra na moldagem do barro
Serei tudo o que a natureza queira
Mas não quero ser
O que a natureza dos outros
Quer que eu seja
Porque nu eu me vejo
E nu eu vivo
Nu eu estarei
Pois que só nu me revejo
E nu, sim nu
Sou um vento livre e feliz.

IMOUHAR