
Hoje acordei com saudades de ti
A chuva beijou-me os lábios na forma de sedução
O vento falou-me de ti
Trazia com ele o teu perfume selvagem
Uma lágrima agridoce acariciou a minha alma árabe
Tudo em mim despertou nessa cumplicidade total
Soltou-se em mim a liberdade sonhada,
Percorreu estradas invisíveis aos outros elementos
Lá onde o vento sopra livre só pelo prazer de soprar
Sem que o propósito se faça necessário
Pois que lá ele corre que nem um louco
Mas corre como gosta louco ou não
Longe das muralhas do betão
Feito de ruas e ruelas
Que o afunilam num labirinto emocional
Só porque o querem aprisionar
Mas lá onde os grãos de areia vivem
Pelo simples prazer de viverem a liberdade
Onde tudo é feito de essência
Em loucas tertúlias longe das aparências
Onde eu sou tudo e ao mesmo tempo não sou nada,
Mas nada é tudo o que eu quero ser
Talvez liberto das regras que me sufocam
De olhos fechados entrego a minha alma ao vento
Numa viagem de liberdade existencial
Naquele lugar onde um mar salgado de lágrimas
Abraça outro mar de sentires da alma
Onde tudo o que se vê ondula
Num movimento de caos sincronizado
Onde a minha alma se entrega sôfrega
Naquele lugar amado
Que se chama de deserto
Talvez até de deserto enrugado
IMOUHAR